Felicidade pura e meninos…

A ecografia 3D demorou cerca de 2H,era a primeira vez que a médica fazia uma 3D a uma gravidez trigemelar, não sei qual das duas estava mais excitada.

Foram 2H extraordinárias em que voltei a disfrutar da minha maravilhosa gravidez. Sem medos!

Eu estava convencida que eram 2 meninas e 1 menino, e até já tinham nome mas afinal eram 3 meninos.

Ia ser mãe de 3 rapazes e iriam chamar se Ricardo(bebé 1), Diogo (bebé 2) e Frederico (bebé 3). E a partir daquele dia era assim que seriam tratados.

Surpresa… Eco 3D

Parece incrível mas ainda não sabíamos o sexos dos nossos bebés, estávamos focados na sua saúde por isso o sexo era secundário.

Mas com a perspectiva do seu nascimento tão prematuro e com todos os riscos envolvidos queríamos conhecer os nossos bebés e dar lhes nomes já chegava a história do bebé n1, 2 e 3.

Então no dia em que saí do hospital, fomos a uma clínica no campo grande, que o meu marido tinha marcado, ver realmente os nossos filhos.

Fomos recebidos com tal excitação que nos esquecemos do que estávamos a passar.

A recepcionista e a médica foram de uma gentileza e de uma atenção que tive que fazer uma força imensa para não chorar. As minhas hormonas estavam a fervilhar…

Estava grata pela aquela aparente normalidade.

Maturação pulmonar.

Faz se com medicamentos e o objectivo é acelarar o desenvolvimento pulmonar. Durante 48 horas a mãe leva uma injeção intra muscular de corticoides.

O que é que não diz os livros… É que mais do que dor fisicamente é a dor do coração que juntamente com o medo se tornam uma mistura explosiva.

Durante esses 2 dias não chorei 1 única vez, queria que os meus filhos soubessem que estava feliz e que eles eram muito desejados e que acontecesse o que acontecesse iríamos superar e conseguir.

Desistir não era opção!!!!

Mais uma voltinha….

Dia 28-10, 24 semanas+0 dias, nova ecografia,  mesma médica, o mesmo silêncio, o mesmo ar sério, o mesmo medo. E depois o discurso:

“Hoje vai ter que cá ficar, vou falar com a médica, e vamos fazer a maturação pulmonar dos seus filhos”

Como????

Eu sabia o que queria dizer, tinha lido no meu livro, quem me manda a mim gostar de ler e de saber as coisas. Isto queria dizer que o nascimento deles estava para breve pois só nesses casos é que se faz.

Mas ainda faltava muito…

O meu objectivo era chegar às 30 semanas, e até parecia possível. O que é que eu estava a fazer mal??? Porquê??

Ainda demorei um bocadinho a processar, e quando olhei para o meu marido vi que estava com medo e preocupado, foi a primeira vez que não disfarçou ou que não conseguiu disfarçar, era a minha vez de o animar.

-“Não te preocupes vai correr tudo bem, eles são fortes saem ao pai. Vai tudo correr bem”….

Veredicto Final…

Enquanto esperava na sala, bem mais tranquila por causa do exame do dia anterior, só queria que o exame estivesse normal e que não acontecesse mais nada.

Já não aguentava a montanha russa de emoções que tinha vivido nos últimos dias.

Quando me chamaram o medo voltou e até ao final do exame não disse uma palavra, e quem me conhece sabe como isso é difícil.

A médica disse me que apesar do exame, naquele dia, estar normal tínhamos de estar atentos aquele bebé para não corrermos nenhum risco.

Eu não iria correr nenhum risco porque o meu papel como mãe era proteger o meu filho

Ecocardiograma Fetal…

Já tinha feito um e sabia que não custava nada, mas o medo da incerteza do resultado era tal que passei das piores noites da minha vida.

Mais uma vez, optei por não contar à família, para não os preocupar e porque esta gravidez estava a ser vivida por todos com tanta euforia que não lhes queria tirar essa alegria. Que erro enorme, tenho a certeza que teria sido bem mais fácil, mas na altura pareceu me o melhor.

As médicas que me acompanhavam e faziam os exames eram sempre as mesmas, e passados tantas consultas e exames, já conseguimos “ler” nas expressões umas das outras as preocupações. Aquela médica estava muito preocupada!!!

Tivemos que parar 2 vezes o exame porque não me estava a sentir bem, o medo, a noite mal dormida e a falta de comer eram as razões. Então pela 1 vez na vida, que me lembre, comi um gelado (corneto de morango), às 10h30m da manhã.

Quando finalmente fizemos o exame a médica diz me a melhor palavra do mundo:”NORMAL. o exame está normal”. Só me apetecia pular de alegria mas já se tornava difícil por causa da barriga.

Em vez disso agradeci e prometi, que a partir daquele dia sempre que fizesseum exame “difícil” iria comer um cornetos de morango.

Tinha agora um gelado preferido…

Era assim que me sentia,

E…

No 19 de Outubro não houve conversa, nem perdas de tempo mal começou a fazer o exame parei de respirar, o meu mundo estava naquele monitor e eu só via manchas pretas.

Depois de muito tempo disse me que aparentemente estava tudo normal, que poderia ter sido só um episódio, mas que queria ter a certeza, por isso amanhã ia fazer um ecocardiograma fetal e que no dia 21 voltaria a fazer uma eco. E este era o plano. E assim voltei a respirar.

Realidade… Parte2

16 de Outubro  sempre a mesma rotina, ecografia, consulta, tudo corre bem, casa…

Mas não nesse dia, o Bebé n1 estava novamente com problemas, o exame estava a ser muito difícil, a médica não estava satisfeita e eu já estava cansada porque estava à muito tempo deitada. Lembro perfeitamente do que me disse:” quero a cá daqui a 3 dias, tenho que ver o bebé, pode ser uma situação passageira mas detectei uma alteração e preciso confirmar até lá descanse”

E assim foi rebentada a minha bolha da felicidade.

Cólicas… Ou talvez não

Era um dia perfeitamente normal, 01/9/09 estava com 15 semanas e 6 dias, estava a ler o único livro que tinha encontrado na altura sobre múltiplos, quando senti uma coisa estranha na barriga. Como se estivesse com cólicas mas sem dor.

De repente outra vez…pôs a mão na barriga parou, tirei começou novamente… Foi quando me “caiu a ficha”

Os meus bebés estavam a mexer.

Regras a triplicar…

Se é verdade que no Hospital desde a primeira consulta me falaram de todas as dificuldades de uma gravidez múltipla, ainda mais com o meu historial, ainda é mais verdade que eu apaguei da minha cabeça toda essas dificuldades.

Os cuidados com o peso e com a alimentação eram imensos, pois se por um lado tinhas que comer por outro não podia engordar muito. Como me diziam era comer bem e não comer por três. Era seguida por uma nutricionista que me deu uma lista enorme de regras, aquelas que eram comuns a todas as grávidas como : beber água ou sumos naturais, não comer alimentos fritos,gorduras, doces,evitar refrigerantes,fast food.

E as outras específicas para me ajudar a chegar ao meu objectivo das 32 semanas: comer sempre sopa às refeições, peixe 3x por semana, carne grelhada, comer de 1h30 em 1h30,beber 2 litros de água, não beber chá (que adoro) nem café, proibido beber bebidas açucaradas (e esta até estava sublinhada).

Muito importante dormir, descansar, não fazer nada, estar tranquila. Palavras que no meu dicionário não existiam.

Só de ler cansava mas era necessário para evitar o MAIOR problema das grávidezes de múltiplos o PARTO PERMATURO.Apesar de a probabilidade de ter as outras ser muito grande, este era o meu maior medo.

Tudo era controlado, explicado, repetido em todas as consultas a sensação que tinha, cada vez que saia do hospital, é que tinha estado numa palestra.

Mas as regras são para comprir e depois do período de adaptação tornam se fáceis.